O motor do sedã cinza roncava forte enquanto Jun-ho cortava as avenidas secundárias, afastando-se o mais rápido possível do hotel de luxo que agora estava cercado de viaturas de polícia e fumaça. No banco de trás, o repórter tentava se secar com um paletó velho que encontrara no carro. Seus óculos ainda estavam um pouco embaçados pela água dos jatos de incêndio, e ele olhava para o casal na frente com uma mistura de choque e epifania.
Ele acabara de testemunhar os dois lutando em perfeita sincronia. Não havia sadismo ou a crueldade gratuita que ele costumava cobrir nas reportagens sobre o submundo; havia apenas uma técnica limpa, defensiva e absurdamente letal para protegê-lo e saírem vivos.
— Vocês... vocês dois são mesmo parceiros, não são? — o repórter murmurou, a voz ainda trêmula, mas agora com uma pitada de admiração involuntária. — Dá para ver que se importam um com o outro de verdade. Vocês são... legais. No sentido de lealdade.
