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Chapter 2 - Alto, Moreno e Sexy: Damian, O Secretário Bonito.

...

A confusão mental de Marinette era um labirinto sem saída. Enquanto Damian cruzava a porta em busca do médico, ela sentia um misto de repulsa e um estranho fascínio que a irritava profundamente. O "secretário" de Bruce Wayne era, sem dúvida, a criatura mais estonteante que ela já vira — uma combinação perigosa de elegância e força —, o que só tornava tudo mais sórdido em sua mente.

Claro, pensou ela, apertando os lençóis com força até que os nós de seus dedos ficassem brancos. Bruce Wayne é tão rico que contrata modelos de passarela para serem seus capangas e secretários. Ele provavelmente usa esse tal de Damian para manter as "Sugar Babies" dele na linha.

Ela se sentia uma personagem de um romance barato e perigoso, onde o glamour escondia uma podridão sistêmica. Se Wayne era o "Dono", o patriarca que comprava afeição com transferências bancárias de sete dígitos, Damian era o "Carcereiro Gentil" — o rosto bonito enviado para suavizar o controle e garantir que a mercadoria estivesse intacta.

Um arrepio percorreu seu corpo, sua mente a traindo e criando cenários que a faziam tremer de medo. Ela imaginou o poder que aquele conglomerado exercia. Se ela tentasse fugir, Damian a caçaria? Ele usaria aqueles olhos verdes hipnóticos para convencê-la a voltar para o loft de luxo que, agora ela entendia, era apenas uma gaiola dourada?

Os 3 milhões em sua conta eram cinzas em sua boca; o peso daquela quantia em seu celular parecia queimar através do metal do aparelho. Ela não queria aquele dinheiro. Ela devolveria cada centavo, romperia esse "contrato" nojento e encontraria uma maneira de voltar para sua dimensão antes que o velho bilionário decidisse cobrar o investimento de forma física.

Eu não sou um objeto de decoração, ela rosnou mentalmente, a indignação começando a superar o pânico da concussão.

Ela precisava agir rápido. Damian voltaria a qualquer momento com um médico, e uma vez que a levassem de volta para o "lar" de Wayne, ela estaria à mercê de um homem de sessenta anos que achava que podia comprar sua dignidade. Não haveria uma oportunidade melhor do que agora.

Ignorando a dor latejante em seu tornozelo imobilizado, Marinette testou o peso de suas pernas para fora da cama hospitalar. O bip constante do monitor cardíaco parecia zombar de sua lentidão. Ela precisava de suas roupas, de seus documentos e de uma rota de fuga. Se o multiverso a tinha jogado nesse pesadelo, ela teria que costurar sua própria saída, ponto por ponto, antes que o "carcereiro" retornasse.

...

Cada passo era uma agonia silenciosa.

Marinette cerrou os dentes, apoiando o peso do corpo contra a parede fria do corredor, o tornozelo latejando em protesto a cada centímetro avançado.

O corredor da clínica parecia infinito, uma extensão estéril de luzes fluorescentes que denunciavam sua vulnerabilidade.

Ela estava pálida, o suor frio colando alguns fios de cabelo em sua testa, mas a urgência de escapar daquele "acordo" financeiro servia como um combustível amargo.

De repente, o som de sapatos de borracha ecoou no piso de vinil. Uma enfermeira dobrou a esquina, conferindo um prontuário.

Ela congelou, prendendo a respiração enquanto se enfiava no vão de uma porta entreaberta, rezando silenciosamente para não ser pega. Seu coração martelava contra as costelas, um som tão alto que ela temia ser descoberta apenas pelo ritmo frenético de seu peito.

Quando a silhueta da mulher finalmente passou e o silêncio retornou, Marinette soltou o ar, trêmula.

Se ela continuasse assim, ela teria um ataque cardíaco antes de conseguir sair do prédio. 

Esgueirando-se para fora de seu esconderijo, Marinette mancou até o final do corredor com dificuldade, dobrando na esquina ela finalmente teve uma centelha de esperança.

Lá estava ele.

O elevador.

No final do corredor, a luz indicadora brilhava como um farol de liberdade.

Ela se lançou em uma caminhada claudicante, arrastando a perna imobilizada com um esforço hercúleo, a dor que subia por seu tornozelo poderia ser ignorada até que ela conseguisse chegar até ele.

Só mais alguns metros, ela implorou a si mesma. Só mais um pouco e eu desapareço de Gotham.

Mas a esperança durou pouco.

Antes que sua mão pudesse alcançar o botão de chamada, uma sombra alta e autoritária se projetou sobre ela.

O ar ao seu redor pareceu mudar, carregado por uma presença que ela reconheceria em qualquer dimensão.

— Marinette, o que você pensa que está fazendo? - A voz de Damian era baixa, um barulho de trovão contido.

Antes que ela pudesse formular uma desculpa ou tentar um desvio desesperado, ele se moveu com uma agilidade predatória. Em um movimento fluido e firme, ele a ergueu do chão.

Marinette soltou um arquejo de surpresa quando se viu suspensa no ar, carregada em estilo princesa.

A desorientação a atingiu como uma onda.

De perto, Damian era ainda mais avassalador. Os braços que a sustentavam eram grossos e firmes como troncos de carvalho, transmitindo uma segurança que sua mente tentava, em vão, rejeitar. Através do tecido fino da roupa dele, ela podia sentir o abdômen rígido, claramente trincado e sólido sob seu toque involuntário.

Meu Deus, esse homem é uma estátua grega ou um deus?, pensou ela, a mente nublada pelo choque e pela proximidade. O calor que emanava dele era inebriante, e por um segundo, o medo de ser uma "mercadoria" de Wayne foi substituído por uma confusão sensorial paralisante.

— Me solte... — ela tentou dizer, mas a voz saiu como um sussurro sem convicção.

— Não seja tola — Damian murmurou, e para a surpresa de Marinette, não havia crueldade em seu tom, apenas uma seriedade profunda, quase gentil. Ele a acomodou melhor contra o peito, os olhos verdes fixos nos dela com uma intensidade que parecia ler sua alma. — Você mal consegue se manter de pé, Marinette. O médico confirmou a concussão. Você não está em condições de vagar por aí, nem fisicamente, nem mentalmente.

Ele começou a caminhar de volta para o quarto, os passos largos e decididos.

— Você não sabe quem eu sou, não sabe onde está... — ele continuou, a voz suavizando enquanto ele notava o tremor nas mãos dela. — Eu sei que você está assustada e que tudo parece estranho agora, mas tentar fugir nesse estado só vai machucar você ainda mais. Eu não vou deixar que nada aconteça com você, Omri. Mas você precisa confiar em mim, pelo menos por agora.

Marinette afundou o rosto levemente contra o ombro dele, a exaustão finalmente vencendo a adrenalina.

Damian claramente acreditava que ela sofria de amnésia devido à queda, e parte dela queria gritar a verdade. Mas, envolvida por aquele abraço firme e pelo perfume amadeirado que emanava dele, ela se sentiu perigosamente tentada a acreditar que, naquele labirinto de segredos e dinheiro, aqueles braços eram o único lugar seguro disponível.

...

O silêncio de Marinette era sua nova armadura.

Enquanto Damian a depositava com uma delicadeza desconcertante de volta no leito hospitalar, ela manteve o olhar vago, fixo em um ponto qualquer da parede branca. A presença do médico, que já a aguardava com uma lanterna clínica e um estetoscópio, era apenas um ruído de fundo diante da tempestade em seu peito.

— Deite-se, por favor — solicitou o doutor, com um tom profissional e calmo. — O Sr. Wayne me informou que você tentou se levantar sozinha. Isso foi muito imprudente.

Marinette não respondeu.

Uma ideia começava a germinar em sua mente, fria e calculista como nunca fora antes. Se ela contasse a verdade — que era uma versão dimensional alternativa fugindo de um relacionamento sórdido —, ela acabaria em um hospício.

Mas se ela aceitasse o diagnóstico de Damian...

A amnésia é o álibi perfeito, pensou ela, sentindo o peso do olhar esmeralda de Damian sobre si.

Fingir que não se lembrava de nada daria a ela o tempo necessário para mapear o território sem ser cobrada por "serviços" que sua contraparte costumava prestar. E, mais importante, era o escudo definitivo para evitar um confronto direto com o velho Bruce Wayne. Quem poderia forçar intimidade com uma mulher que nem sequer lembrava o próprio nome?

O exame foi minucioso.

O médico verificou seus reflexos, a dilatação das pupilas e a estabilidade do tornozelo.

— Devido à tentativa de locomoção e à confusão mental persistente, eu recomendo que a Sra. Dupain-Cheng permaneça internada por mais vinte e quatro horas — declarou o médico, guardando os instrumentos. — Precisamos de exames de imagem adicionais pela manhã para descartar um edema cerebral.

Damian, que estava encostado perto da janela com os braços cruzados, apenas assentiu com uma rigidez que impunha respeito.

— Concordo — disse ele, a voz curta e grossa. — Ela não sairá daqui até que esteja fora de perigo.

O médico se retirou com uma breve reverência, deixando o quarto mergulhado em uma tensão palpável.

Marinette sentiu um frio na espinha.

Damian se aproximou da poltrona ao lado da cama e, para sua completa surpresa, retirou o paletó escuro, revelando a camisa de seda que delineava ainda mais seu físico intimidador.

— O que está fazendo? — ela perguntou, a voz saindo mais trêmula do que pretendia.

— Vou passar a noite aqui — respondeu ele, de forma pragmática, enquanto se acomodava. — Dada a sua última "excursão" pelo corredor, não confio que você permanecerá nesta cama se eu virar as costas.

Marinette apertou o lençol sob as mãos.

O carcereiro montou guarda, bufou mentalmente.

Ela tinha certeza de que a vigilância dele era uma ordem direta de Bruce Wayne para garantir que o "investimento" de 3 milhões não evaporasse no meio da noite.

Era uma estratégia de contenção pura e simples.

Ela realmente pretendia esperar que ele dormisse para tentar outra rota de fuga, talvez pela janela ou subornando um funcionário, mas ter Damian — aquela massa de músculos e percepção aguçada — a poucos metros de distância tornava qualquer plano impossível.

O que Marinette não conseguia ver, através de sua névoa de preconceito e medo, era o modo como Damian a observava quando ela fechava os olhos.

Não havia o brilho de posse de um capanga, mas sim uma sombra de preocupação genuína que raramente atingia o rosto do herdeiro Wayne. Para ele, o silêncio dela não era uma tática, era um fragmento quebrado de alguém que ele conhecia profundamente, e ele pretendia ficar ali para garantir que, quando ela acordasse no dia seguinte, o mundo não parecesse tão hostil.

...

O silêncio do quarto de hospital era quebrado apenas pelo ritmo constante do monitor cardíaco e pelo som da respiração suave de Marinette.

No meio da noite, os olhos verdes de Damian se abriram instantaneamente. Como um predador treinado, seu sono era uma camada fina de consciência, sempre alerta ao menor desvio de som.

Ele se inclinou na poltrona, observando a figura pequena e vulnerável sob os lençóis brancos. Um suspiro de alívio, quase imperceptível, escapou de seus lábios ao perceber que ela ainda estava lá, dormindo tranquilamente, sem ter tentado outra fuga desesperada. Com um movimento silencioso que desafiava a acústica do ambiente, ele se levantou e saiu para o corredor deserto para fazer uma ligação necessária.

— Pai — murmurou Damian assim que a chamada foi atendida do outro lado. — Ela está estável, mas a situação é complicada. O médico confirmou uma concussão severa e ela apresenta sinais claros de amnésia.

Do outro lado da linha, a voz de Bruce Wayne soou carregada de uma preocupação paternal que Marinette jamais imaginaria existir.

— Entendo. Damian, esqueça a patrulha. Gotham pode sobreviver sem vocês por uns dias. As funções noturnas de vocês estão suspensas até que ela esteja totalmente recuperada. O tempo que precisarem, vocês terão.

— Obrigado — respondeu o filho, a rigidez de seus ombros cedendo minimamente.

— Vou pedir para Alfred preparar uma cesta de café da manhã completa e enviar para a clínica ao amanhecer. Cuide dela.

....

Horas depois, quando o sol já banhava o quarto, Marinette acordou com o aroma de pães frescos e frutas, mas a visão da cesta luxuosa com o brasão da Fundação Wayne a fez sentir um nó amargo no estômago.

Por que Bruce Wayne enviaria um café da manhã tão íntimo? Seria uma tática de manipulação? Uma forma de lembrá-la de que ele era o "provedor" e que ela lhe devia obediência? O gesto, que para Bruce era apenas um carinho para o filho e a futura nora, para a mente distorcida de Marinette soava como um aviso sinistro de que o bilionário não pretendia deixá-la escapar tão cedo.

Ao meio-dia, a alta finalmente foi assinada.

O médico entregou a Damian uma lista de medicamentos para a dor e recomendações estritas sobre como lidar com a perda de memória, sugerindo paciência e ambientes familiares.

Quando uma enfermeira trouxe uma cadeira de rodas para levá-la até a saída, Marinette sentiu um lampejo de autonomia.

— Eu posso ir na cadeira, Damian. Realmente não precisa se incomodar — pediu ela, as bochechas queimando de vergonha.

— A cadeira é lenta e ineficiente para navegar pelo fluxo do hospital — refutou ele com uma autoridade que não admitia réplicas. — Além disso, o esforço de se transferir para ela pode causar tensão desnecessária no seu tornozelo. Eu sou mais do que capaz de transportá-la com segurança.

Antes que ela pudesse protestar, Damian a colheu novamente nos braços com a facilidade de quem carrega um buquê de flores.

Algumas enfermeiras que passavam pelo corredor soltaram risinhos abafados, trocando olhares que diziam claramente que estavam presenciando uma cena digna de um dorama romântico, o que só fez Marinette querer esconder o rosto no peito dele por pura humilhação.

No elevador, o silêncio era preenchido apenas pela proximidade eletrizante entre os dois. Ao chegarem à garagem privativa, Damian caminhou em direção a um veículo negro de linhas agressivas e aerodinâmicas que parecia ter saído de um filme de ficção científica.

— Destravar sistema. Protocolo Alfa-Um — comandou ele em voz alta.

O carro respondeu com um bipe tecnológico e as portas se abriram para cima, como asas. Marinette ficou boquiaberta enquanto era acomodada com extrema cautela no banco de couro do passageiro. O painel brilhava com interfaces holográficas que ela nunca vira antes.

— Vamos para casa agora — disse Damian, assumindo o volante.

Marinette apenas assentiu, encostando a cabeça no banco e fechando os olhos.

Em sua mente, ela já traçava o plano: ela assumia que Damian a deixaria lá e talvez contratasse uma empregada para vigiá-la e ajudá-la com a locomoção até que seu tornozelo fosse curado. 

O que ela não desconfiava, enquanto o carro deslizava silenciosamente pelas ruas de Gotham, era que o Loft era a residência que ambos compartilhavam por mais de cinco anos - um detalhe que transformaria sua estadia em Gotham em algo muito mais pessoal do que ela jamais imaginou. 

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