[Encélado: Lua de Saturno. Três semanas antes da queda do estranho objeto perto da colina do barco.]
A superfície congelada da lua está fria como sempre. O céu escuro e estrelado — a ausência de atmosfera deixava o céu sem cor, assim como a visão completa do espaço ao redor do corpo celeste. Gelo e vapor eram expelidos do Polo Sul da lua.
Perto do vapor, uma garota examinava algumas pegadas na superfície congelada da lua. Seu corpo estava completamente coberto por uma armadura de placas de aço reforçada por magia. Seu corpo também estava coberto por um manto de pele que protegia tanto a armadura quanto o corpo da garota do frio extremo do corpo celeste.
"As pegadas estão indo para o leste." A voz vinha de um pequeno emblema no peito da garota. O emblema era feito de pedra com um rosto esculpido nele. Aquilo não era apenas um emblema.
"Eu sei, Tór, eu aprendi a rastrear pegadas!" A garota declarou com certa raiva, os olhos revirando por trás das frestas do capacete.
"Eu sei, é que você é péssima nisso", respondeu o emblema com desdém indiferente, o que irritou ainda mais a garota com seu adorno vivo.
Mas ela ignorou; não valia a pena perder tempo cedendo às provocações do emblema. Ela seguiu as pegadas, os olhos atentos a cada marca no gelo. Seguiu-as sem desviar o olhar para nenhum outro lugar.
Sua mão estava sempre perto do grande martelo em suas costas, preparada para qualquer surpresa desagradável.
O emblema continuava tagarelando e lançando pequenos insultos à sua dona, o que a irritava mais do que ela gostaria de demonstrar. Mas ela tinha um limite. "Enfim, depois de todo esse monólogo, cheguei à conclusão com absoluta certeza: você é inútil em todos os sentidos. Deveria desistir de qualquer sonho que inocentemente acredite ser capaz de realizar."
A garota chegou ao seu limite. Ela agarrou o emblema e o jogou no chão, pisoteando o objeto vivo com uma fúria inexplicável. "Cala a boca, seu golem estúpido?! Você deveria ser meu assistente pessoal, não meu valentão particular!"
Ela continuou a pisotear, com a paciência já no limite, seus pés atingindo o emblema com uma força que fez o chão rachar.
"Thoffina..."
o emblema tentou dizer algo, mas a garota, agora identificada como Thoffina, o interrompeu bruscamente.
"Chega! Estou cansada de ouvir que até o jeito que eu fervo água está errado!"
"Thoffina..."
"Eu estava super animada com a chance de ter um golem inteligente como assistente, mas se eu soubesse que seria insultada a cada segundo com você, teria ficado com o pônei!"
"Thoffina!..."
"O que foi?!" Sua voz foi interrompida pelo som do gelo estalando e rachando. O lago congelado sob seus pés estava cedendo, e logo um buraco se abriu.
Apêndices emergiram do gelo e tentaram perfurar a garota. Ela reagiu rapidamente. Pouco antes do gelo ceder, Thoffina fez um movimento que deixaria muitos jogadores de futebol com inveja.
Ela virou o emblema para que repousasse no peito do pé enquanto saltava alto no ar, escapando dos apêndices monstruosos que tentavam atacá-la como se fosse uma presa comum.
Do buraco recém-aberto, uma criatura emergiu do gelo. Sua forma era esguia enquanto se erguia da água congelante; de seu torso longo e fino, inúmeros apêndices emergiam. A criatura fixou seus incontáveis olhos na garota de armadura que havia escapado de sua armadilha.
Ela havia sacado seu martelo das costas; nas frestas de seu elmo, seu sorriso de excitação era visível. "Finalmente, algo para esmagar!" Seu martelo estava envolto em um brilho dourado, sua ponta expelindo fogo e rochas incandescentes.
Energia sobrenatural circulava por suas pernas. Os padrões eram rígidos, porém elegantes. Os músculos de seus membros inferiores se contraíram de forma antinatural, tornando-se visíveis mesmo sob o aço de sua armadura. Então ela avançou rapidamente, o chão sob seus pés explodindo e criando uma pequena cratera.
Em um segundo, ela já estava perto da besta. Com um único golpe, a criatura foi arremessada para longe. Foi um golpe fatal, sem chance de reação ou contra-ataque.
"Sim! Consegui com apenas um golpe!" Ela deu pulinhos de alegria como uma criança entusiasmada. De longe, o emblema a observou e revirou os olhos. *SUSPIRO* " Pare de comemorar tanto por tão pouco."
A garota mal ouviu, enquanto ainda comemorava animadamente sua fácil vitória.
(...)
Thoffina carregava o corpo da criatura. Ela estava voltando para um grande barco voador. Era uma grande caravana solar; sua estrutura era feita de um material branco, e havia ornamentos de asas ao longo da base da nave.
A frente do barco apresentava uma gigantesca estátua de unicórnio. As velas eram feitas de tecido brilhante; pequenos cristais entrelaçados entre os fios capturavam a luz do sol.
Ela entrou pela entrada inferior da caravana, adentrando a área de armazenamento da nave. O local estava cercado por caixas e vários itens importantes. Gaiolas de aço aprisionavam várias criaturas monstruosas.
Estátuas brilhantes marcavam presença entre as caixas. Pelos corredores da área de armazenamento, vários trabalhadores circulavam, verificando a carga. Thoffina deixou o corpo da criatura com alguns dos trabalhadores e seguiu para as seções superiores da estrutura da caravana.
Ela ficou em uma sala na lateral da nave, uma parte conectada às entradas laterais da embarcação. Uma sala adaptada para colocar Você vestia e desvestia armaduras especiais feitas para resistir ao vácuo do espaço.
"Você foi muito descuidada nesta missão. Teria morrido se o inimigo fosse mais forte", disse o emblema, sentado em um banco de vestiário.
Thoffina removeu sua armadura peça por peça, revelando sua pele branca. Seu corpo era marcado por marcas de pedra semelhantes a tatuagens. "Cale a boca! Eu não teria me distraído se você não estivesse falando sem parar no meu ouvido."
A garota removeu o elmo; seus cabelos cor de palha estavam presos em um rabo de cavalo, suas orelhas eram pontudas e feitas de pedra. De sua testa brotavam dois chifres de pedra.
"Um verdadeiro cavaleiro da Ordem do Unicórnio Alpino não se distrairia com tão pouco", disse o emblema em tom de deboche, fazendo a garota revirar os olhos.
Thoffina vestiu seu nobre uniforme branco e, em seguida, colocou o emblema de volta em seu peito. "Então, Tór, o que tenho na minha lista de tarefas agora?"
"Depois desta missão de treinamento de caça, você deveria ter um descanso. Mas Lady Sileve exigiu sua presença no último minuto."
"Mestre Sileve?" Thoffina exclamou, surpresa, enquanto corria pelos corredores da caravana.
"Calma, Thoffina! Não precisa ter pressa, ela não vai a lugar nenhum!" Apesar da tentativa de acalmar sua dona, ela ignorou completamente o que o emblema dizia e continuou correndo em alta velocidade. Ela só parou em frente a um quarto.
A garota diminuiu completamente a velocidade ao se aproximar da porta. Seus pés deslizaram pelo chão alguns passos além do quarto. Ela voltou até estar em frente à porta novamente. Com muito cuidado, ajeitou o cabelo e as roupas, tentando parecer apresentável.
"Como estou?"
"Horrível como sempre, você nunca terá a elegância de Lady Sileve."
"Eu nem sei por que te perguntei." Depois de pigarrear, Thoffina respira fundo, reunindo coragem para abrir a porta.
