Cherreads

Chapter 28 - CHAPTER 28: THE SOVEREIGN IN THE SHADOWS

O período de "férias" — que para Sirzechs significou construir ferrovias, enfrentar sabotadores e brindar com reis — havia chegado ao fim. O retorno ao Palácio de Alabastro não foi marcado pelo som de espadas, mas pelo som rítmico e aterrorizante de carimbos e o deslizar de pergaminhos. Atrás da imensa mesa de mármore negro, Sirzechs sentou-se. Diante dele, Grayfia Lucifuge o aguardava com uma postura que faria uma estátua de Szayelaporro parecer relaxada.

Sobre a mesa, as pilhas de documentos estavam organizadas por cores, níveis de urgência e selos de importância. A luz da manhã refletia no brilho dos óculos de Grayfia, que não demonstrava um pingo de fadiga, apesar de ter gerido o Ducado sozinha durante a ausência do soberano.

— Bem-vindo de volta, Lorde Sirzechs — disse Grayfia, com uma reverência mínima. — Espero que a viagem tenha sido revigorante. Agora, se me permite, temos 1.432 petições aguardando sua assinatura, 87 relatórios de danos colaterais na ferrovia e o balanço trimestral da Casa da Moeda.

Sirzechs soltou um suspiro profundo, massageando as têmporas.

— Grayfia, não podemos simplesmente automatizar isso com um dos sistemas do Szayelaporro?

— O Diretor de P&D sugeriu um algoritmo de decisão autônomo — respondeu ela, entregando-lhe a primeira caneta de pena de fênix — mas eu o informei que a assinatura do Soberano é o que vincula a alma do contrato à lei de Avalon. A burocracia, meu Senhor, é o sangue da ordem. E o senhor é o coração.

A sessão de trabalho começou. O que se seguiu foi uma batalha épica de logística e paciência. O Ducado de Ouro de Avalon estava tão valorizado que as moedas de prata de Falmuth estavam causando deflação nos mercados de rua, exigindo um decreto de reajuste monetário imediato. Além disso, um relatório de Dietrich indicava que as novas sentinelas dos viadutos haviam "detido" acidentalmente uma caravana de mercadores anões por três horas porque um deles transportava uma fruta rara que as estátuas confundiram com um artefato explosivo.

Horas se passaram. Valerius entrava e saía silenciosamente, trocando as xícaras de café e garantindo que os lanches estivessem à temperatura exata para não distrair o mestre. A certa altura, Sirzechs parou, com a caneta pairando sobre um documento especialmente denso: o pedido de asilo de três nobres de Falmuth que fugiram após o colapso econômico.

— Aceite-os — disse Sirzechs, com um brilho astuto nos olhos. — Mas coloque-os sob a supervisão de Szayelaporro. Ele queria "voluntários" para testar os novos soros de resistência física. Se eles querem ser cidadãos de Avalon, devem contribuir para a nossa ciência.

Quando o sol começou a se pôr, a pilha de documentos finalmente diminuiu. Grayfia fechou sua pasta de couro com um estalo seco.

— Por hoje, a Ordem está satisfeita, meu Senhor. O Ducado não entrará em colapso se o senhor se retirar por algumas horas.

Sirzechs não precisou que ela repetisse. Com um movimento rápido, ele trocou suas vestes cerimoniais por uma túnica de seda cinza-escura, sem brasões ou ouro, e utilizou um leve feitiço de ocultação para obscurecer a intensidade de sua aura carmesim. Acompanhado apenas por Valerius, ele saiu pelos portões laterais.

Avalon à noite era uma visão de outro mundo. As lâmpadas de cristal de Szayelaporro emitiam um brilho suave nas ruas de mármore, e o som rítmico das gárgulas patrulhando os céus era um lembrete constante de segurança. Eles se dirigiram ao Entreposto de Alabastro, entrando na "Taberna do Trilho de Prata". Lá, escondido sob um capuz rústico, estava uma figura redonda e azulada.

— Você demorou, Sirzechs! — disse Rimuru, em sua forma de slime, pulando levemente. — Achei que a Grayfia tivesse te trancado no cofre de novo.

— Quase isso, Rimuru-kun — riu Sirzechs, sentando-se ao lado do amigo enquanto Valerius pedia duas canecas da melhor reserva de Dwargon ao taberneiro.

A conversa fluiu sobre coisas triviais: as novas receitas letais de Shion, as obsessões de Szayelaporro e as derrotas de Gazel Dwargo no baralho. No entanto, a paz foi alterada quando três figuras encapuzadas entraram. Eles não falavam com ninguém e seus olhos escaneavam o lugar com uma precisão fria. Valerius, sem se virar, colocou a mão discretamente sobre uma faca de prata.

— Cavaleiros da Igreja Sagrada — sussurrou Valerius. — Disfarçados, mas o cheiro de incenso e fanatismo é inconfundível.

Sirzechs nem se moveu. Ele apenas sorriu para Rimuru.

— Parece que a nossa noite de folga acabou mais cedo. Eles não vieram para beber, vieram para medir a altura das nossas muralhas por dentro. Valerius, informe Szayelaporro de que temos "voluntários" para o teste do sistema de distorção espacial urbana. Rimuru, que tal uma aposta? Quem conseguir deixá-los mais confusos ganha o próximo barril de Dwargon.

— Fechado! — Rimuru sorriu, e uma sombra se desprendeu de sua capa. Souei materializou-se por um milésimo de segundo antes de desaparecer novamente nas vigas da taverna.

More Chapters