A noite em Fuyuki não permaneceu silenciosa por muito tempo. O eco da batalha na ponte — e a chocante sobrevivência de Kratos à ferida mortal de *Gae Bolg* — reverberou pelas linhas ley da cidade como um terremoto tátil. Para os magos e Servos que vigiavam as sombras, ficou claro que as regras usuais da Guerra do Santo Graal haviam sido sumariamente rasgadas.
No topo de um prédio residencial a dois quilômetros de distância, uma figura de capa e armadura vermelha recolheu o arco preto que apontava em direção à ponte. **Archer** (EMIYA) abaixou o capuz, seus olhos cinzentos semicerrados com uma seriedade profunda.
"Aquele homem...", Archer murmurou para si mesmo. "O Graal cometeu um erro crasso. Ele não é um Espírito Heroico registrado na história humana. É um registro de destruição pura."
O Encontro na Igreja de Fuyuki
Na manhã seguinte, o céu amanheceu cinzento e opaco. Ren, o mestre de Kratos, sentia que suas linhas mágicas iam derreter a qualquer momento. A mera presença passiva do espartano consumia energia de forma colossal, mas Kratos parecia se alimentar de uma fonte própria e sombria: o próprio ódio acumulado em sua lenda.
Kratos exigiu ir ao centro da autoridade daquela cidade. Ele não queria caçar ratos nos esgotos; queria arrancar a cabeça da cobra. Eles caminharam até a Igreja de Fuyuki, o terreno neutro supervisionado pela Igreja Ortodoxa e pelo supervisor da guerra, Kotomine Kirei.
Ao empurrar as pesadas portas de carvalho da igreja, o som ecoou pelo altar vazio. Sentado em um dos bancos, o padre Kirei mantinha os olhos fixos em uma Bíblia aberta. Ao lado dele, encostado em uma coluna de mármore com uma taça de vinho na mão, estava um homem de cabelos dourados espetados e olhos carmesim que transbordavam um desprezo absoluto por toda a criação: Gilgamesh, o Rei dos Heróis.
"Ora, ora...", Gilgamesh proferiu, sua voz destilando veneno aristocrático. "O vira-lata que assustou o cão de caça celta ontem à noite resolveu aparecer. Que criatura grotesca e insolente você é, ousando andar na minha presença sem cobrir o rosto de cinzas."
Kratos parou no corredor central. Ele olhou para Gilgamesh, depois para Kirei. Suas narinas inflaram. O cheiro de arrogância divina era forte demais naquele homem de ouro.
"Você fede a Olimpo", Kratos disse, sua voz um rosnado baixo e gutural. **"Fede a reis que se acham donos do destino dos homens."
Gilgamesh soltou uma gargalhada genuína, embora seus olhos permanecessem frios como o gelo. "Olimpo? Aqueles deuses decadentes do oeste? Não me compare àqueles parasitas, mestiço. Eu sou o único e verdadeiro Rei. O mundo inteiro é o meu jardim, e você é apenas uma praga que precisa de expurgo."
Atrás de Gilgamesh, o espaço começou a ondular. Ondas douradas se abriram no ar — a Gate of Babylon (Portão da Babilônia). Dezenas de protótipos de armas divinas, espadas de luz, lanças cravejadas de joias e machados molares começaram a emergir, com as pontas direcionadas para Kratos.
"Ajoelhe-se ante o seu Rei, e talvez sua morte seja rápida", ordenou o Rei dos Heróis.
Kratos não recuou um milímetro. Em vez disso, ele levou as duas mãos às costas. Um calor infernal começou a emanar de seu corpo, distorcendo o ar ao redor de seus ombros.
"Eu já vi reinos maiores que o seu queimarem até virar pó, reizinho. Eu já rachei o crânio de reis que governavam os mares e os céus. Você... é apenas mais um corpo para o meu rastro."
"Morra, zé-ninguém!", Gilgamesh disparou.
Vinte armas míticas cruzaram o ar da igreja na velocidade do som. Mas Kratos não sacou as lâminas para bloquear. Ele usou o Velo de Ouro (Golden Fleece) que agora se materializava em seu braço esquerdo — uma braçadeira de ouro com o formato de uma cabeça de carneiro.
Com um timing perfeito e brutal, Kratos rebateu a primeira onda de tesouros divinos. O Velo de Ouro brilhou com uma barreira de energia mágica que não só bloqueou os projéteis conceituais de Gilgamesh, mas os refletiu de volta contra o próprio dono com o dobro da força.
Gilgamesh teve que saltar para trás com agilidade inédita enquanto suas próprias espadas explodiam contra o altar de mármore da igreja, destruindo o teto de vitrais.
"Seu verme...!", a fúria de Gilgamesh ascendeu. Mais de cem portais dourados se abriram, ameaçando soterrar a igreja inteira em uma ogiva de armas.
"Chega, Archer", a voz fria e calma de Kotomine Kirei cortou o ar. O padre levantou-se, olhando para Kratos com um interesse quase científico. "A igreja é solo sagrado. E além disso... este Servo não responde às lógicas deste mundo. Uma luta aqui destruiria a cidade antes da hora."
Gilgamesh rosnou, fechando os portais com um estalar de dedos. "Você teve sorte, criatura cinzenta. Da próxima vez que eu o vir, usarei a espada que separou o céu da terra. Você não passará de poeira."
Kratos deu as costas a Gilgamesh, olhando para o padre. "Diga aos seus Servos para se prepararem. Eu não vim pelo Graal. Eu vim para caçar cada um de vocês."
O Choque de Titãs
Naquela mesma noite, seguindo o rastro de mana de uma grande concentração de energia, Kratos e Ren entraram nas densas florestas que cercavam o castelo de Einzbern. O nevoeiro estava espesso, bloqueando a luz da lua.
De repente, o chão tremeu. As árvores ao redor foram arrancadas pela raiz, arremessadas como palitos de dente.
Do nevoeiro, emergiu o verdadeiro titã daquela guerra: **Heracles (Hercules)**, o Berserker oficial de Fuyuki. O gigante de pele escura e músculos como rocha viva empunhava um machado-espada colossal de pedra, rugindo com uma insanidade que revirava o estômago. No topo de uma rocha próxima, a pequena **Illyasviel von Einzbern** sorria com sadismo inocente.
"Acabe com ele, Berserker! Destrua o impostor que ousa usar a sua classe!", Ilya ordenou.
Kratos parou. Ele olhou para o monstro à sua frente. Suas feições, geralmente travadas em uma expressão de fúria controlada, suavizaram-se por um milissegundo em um choque profundo. Ele reconhecia aquela silhueta. Ele conhecia aquela brutalidade. Mas não era o *seu* Hércules — o irmão arrogante que ele havia espancado até a morte no topo do Olimpo. Era o herói grego sob a ótica da Alaya, o sistema de invocação da Terra. Uma casca de puro instinto e dor.
"Hércules...", Kratos murmurou, um tom de profunda amargura em sua voz. "Até mesmo nesta terra, os deuses usam você como um escravo sem mente."
Heracles rugiu, avançando como um trem desgovernado. O machado de pedra desceu em um corte vertical capaz de partir uma montanha.
Kratos sacou as *Lâminas do Caos*. As correntes tilintaram com o som da morte. Ele saltou para o lado, escapando do golpe por milímetros enquanto a terra se abria em uma cratera de dez metros. No ar, Kratos girou as lâminas, cravando o metal serrilhado diretamente nas costas de Heracles.
O fogo grego explodiu na carne do semideus. Heracles urrou de dor, mas ignorou o ferimento, girando o machado de volta no ar para decapitar Kratos. O espartano cruzou as lâminas, bloqueando o impacto, mas a força monumental de Heracles o arrastou pelo solo da floresta.
Eles começaram uma troca de golpes brutal. Era uma coreografia de destruição pura: a lâmina de pedra contra as correntes de fogo. A cada colisão, ondas de choque arrancavam a vegetação ao redor.
Kratos, usando sua agilidade superior (Rank A), esquivou-se de um soco direto, subiu pelo braço massivo de Heracles e enterrou a Lâmina do Caos diretamente no pescoço do monstro, puxando a corrente com força total.
Com um puxão violento, Kratos decepou a cabeça de Heracles. O corpo gigante do Berserker caiu no chão com um baque surdo, começando a se dissolver em cinzas mágicas.
"Hah! Você achou que tinha vencido?!", Ilya riu alto do topo da rocha, embora lágrimas de nervoso estivessem em seus olhos. "Meu Berserker é imortal! Ele tem doze vidas!"
O corpo de Heracles parou de se dissolver. A carne começou a se regenerar de forma impossível. A cabeça voltou a se fundir ao pescoço. O Fantasma Nobre God Hand (Mão de Deus) havia sido ativado. Ele se levantou, ainda mais forte do que antes, imune ao ataque que o havia matado anteriormente.
Kratos olhou para o inimigo ressuscitado. Seus olhos brilharam com o fogo da batalha. Um sorriso selvagem, o sorriso do General de Esparta, cruzou seu rosto.
"Doze vidas?", Kratos riu, uma risada que gelou o sangue de Ilya. "Eu já tirei as vidas de centenas de deuses, ninfas, titãs e heróis. Doze vidas... são apenas doze oportunidades para eu ver você cair!"
O Despertar das Armas do Olimpo
Heracles avançou novamente, mas desta vez, Kratos mudou sua estratégia. Ele guardou as Lâminas do Caos. Ele precisava de algo que superasse a imunidade de God Hand.
Kratos estendeu as mãos para os lados. Duas massas de metal gigantesco, moldadas na forma de cabeças de leões rugindo, materializaram-se em seus punhos: as Cestus de Nemeia.
"Vamos ver o quanto o seu próprio mito aguenta!", Kratos rugiu, avançando de frente contra o titã.
Quando o machado de Heracles desceu, Kratos desferiu um soco direto de encontro à lâmina de pedra. O impacto causou uma explosão sônica. Para o horror de Ilya, o machado de Heracles — uma arma de conceito divino — rachou e estilhaçou-se em mil pedaços sob o poder de esmagamento das Cestus.
Kratos não parou. Ele desferiu uma combinação de socos ultrassônicos no peito de Heracles. Cada golpe das Cestus criava ondas de choque que rasgavam os órgãos internos do Servo.
Segunda Morte: O peito de Heracles colapsou sob o impacto das Cestus. Ele morreu e ressuscitou instantaneamente.Terceira Morte:Kratos mudou para as Lâminas do exílio,infundindo-as com a magia do Submundo, rasgando a alma de Heracles antes que seu corpo pudesse se adaptar.
Heracles ressuscitava e morria em um ciclo de agonia de poucos segundos. Ele tentava revidar, mas Kratos antecipava cada movimento com a experiência de quem já havia lutado contra aquela mesma silhueta em uma vida passada.
"Pare! Pare com isso!", Ilya gritou, caindo de joelhos, sentindo a dor de seu Servo através do link de mana.
De repente, um feixe de luz mágica pura e devastadora cortou a floresta, vindo do céu. Uma linha de bombardeio mágico de Rank A+ explodiu entre Kratos e Heracles, forçando o espartano a saltar para trás.
No céu, flutuando sobre uma plataforma mágica, estava Caster (Medeia), seus mantos roxos esvoaçando. Ao lado dela, na escuridão das árvores, a silhueta de Saber (Arturia Pendragon) segurava sua espada invisível, observando a cena com horror e imponência.
"Essa criatura... não é deste mundo", Saber disse, assumindo a postura de combate ao lado de sua mestra, Rin Tohsaka, que tinha acabado de chegar ao local. "O nível de mistério que emana dele rivaliza com a Era dos Deuses primordial."
Kratos limpou o sangue dourado e vermelho de sua bochecha. Ele olhou ao redor, vendo Saber, Caster, o agonizante Heracles e, à distância, os olhos de Archer ainda o observando.
Ele estava cercado pelos maiores heróis da história humana. E era exatamente ali que ele se sentia em casa.
Kratos bateu as Cestus de Nemeia uma contra a outra, gerando um estrondo que espantou todas as aves da floresta de Fuyuki. A aura da Fúria de Esparta começou a vazar de seus poros, pintando o nevoeiro de um vermelho carmesim apocalíptico.
"Venham todos de uma vez", Kratos desafiou, o Fantasma de Esparta desafiando o próprio trono dos heróis. "Deixem-me mostrar por que os deuses tremiam quando eu subia a montanha."
