A floresta de Einzbern parecia à beira do colapso espacial. O nevoeiro, outrora frio, agora fervia com o calor emanado por Kratos. A energia vermelha da Fúria de Esparta subia aos céus como um pilar de sangue.
Saber (Arturia) deu um passo à frente, o vento rugindo ao redor de sua lâmina invisível. Ao lado dela, Caster (Medeia) flutuava, círculos mágicos de alta velocidade da Era dos Deuses (*High-Speed Divine Words*) se acendendo como constelações arroxeadas ao seu redor. Heracles, tendo restado apenas quatro de suas doze vidas após o massacre das Cestus, soltou um rugido gutural, a regeneração forçada cobrindo seu corpo de cicatrizes fumegantes.
"Saber, recue por agora! Esse cara é louco!", Rin Tohsaka gritou da retaguarda, os dedos repletos de joias mágicas prontas para explodir.
"Não posso, Rin", respondeu Saber, os olhos fixos no espartano. "Se deixarmos esse Berserker solto por Fuyuki, não haverá cidade para disputar o Graal. Ele não deseja o cálice... ele deseja a destruição de tudo o que o cálice representa."
O Confronto de Três Frentes
Caster atacou primeiro. "Beam do Milênio!", ela entoou. Dezenas de feixes de luz destrutiva de Rank A rasgaram o ar, convergindo em Kratos.
O espartano sequer tentou desviar. Ele sacou as Asas de Ícaro de suas costas. Com um bater violento das asas de penas de couro e osso, ele se impulsionou para o céu, cortando o bombardeio mágico. No ar, ele guardou as asas e sacou a Cabeça de Medusa (ou o olhar de Helios), erguendo um crânio decepado que emitiu um brilho dourado e cegante.
A luz divina atingiu Caster em cheio. Embora um Espírito Heroico não pudesse ser petrificado instantaneamente devido à resistência mágica, o feitiço drenou a mana de Medeia e interrompeu seu voo. Ela despencou em direção ao solo, desorientada.
Enquanto Kratos caía, Heracles saltou para interceptá-lo no ar com as próprias mãos desarmadas. Kratos, antecipando o movimento, puxou as *Lâminas do Caos* e disparou as correntes para baixo, cravando-as nos ombros de Heracles. Usando o peso do gigante como pivô, Kratos girou no ar e o arremessou violentamente contra Saber, que avançava por baixo.
Saber usou sua agilidade incrível para desviar do corpo de Heracles. Ela saltou, desfazendo a ocultação de sua arma. O vento se dissipou, revelando a espada dourada da vitória:
"Ex... calibur!"
Ela não usou a liberação total do Fantasma Nobre para não obliterar a floresta, mas canalizou o feixe de luz concentrada diretamente contra o peito de Kratos. O espartano cruzou os braços, usando o Velo de Ouro para absorver o impacto. A força do feixe de luz de Saber o empurrou duzentos metros para trás, rasgando o solo, mas o Velo de Ouro brilhou intensamente e repeliu a energia restante de volta para Saber em uma explosão de faíscas douradas. Saber foi jogada para trás, a armadura de mana trincada.
Kratos pousou de joelhos, o peito subindo e descendo. O consumo de energia era absurdo. Atrás dele, escondido nos arbustos, Ren, seu Mestre, tossia sangue. Suas linhas mágicas estavam se rompendo sob a pressão de manter um deus da guerra ativo.
"Kratos...", Ren sussurrou, a visão borrada. "Eu... eu não aguento muito mais..."
Kratos olhou para o garoto. Ele conhecia aquele olhar. Era o olhar dos soldados de Esparta antes de sucumbirem no campo de batalha. Ele sentiu uma pontada amarga de algo que há muito achava ter enterrado: responsabilidade.
O Sangue do Verdadeiro Graal
Foi nesse momento de hesitação que o espaço atrás de Ren se distorceu.
Não foi um Servo que emergiu, mas uma figura vestindo batinas pretas, com olhos vazios e um sorriso de puro sadismo. Kotomine Kirei. E ao lado dele, envolto em fumaça negra, estava o verdadeiro horror oculto daquela guerra: Matou Zouken, o patriarca dos vermes, acompanhado por Fallen Saber (Saber Alter, manifestada através da lama do Graal em uma linha temporal já distorcida).
Kirei não estava ali para assistir. Com uma velocidade desumana, o padre cravou suas chaves pretas (*Black Keys*) nas costas de Ren, atravessando o coração do jovem mago.
"O-O quê...?", Ren gaguejou, o sangue jorrando de sua boca. Ele olhou para a sua mão direita. Os Feitiços de Comando começaram a desaparecer enquanto sua vida se esvaía.
"REN!", Kratos urrou. O som não foi de fúria cega, mas de uma dor antiga que reabria feridas profundas. A imagem de sua filha, Calliope, e de sua esposa morrendo em seus braços piscou em sua mente.
Kirei sorriu, recolhendo a mana residual do garoto em um cálice de metal negro que carregava. "Uma peça sacrificial perfeita. Você achou que o Santo Graal o invocou por acaso, espartano?"
Zouken deu uma risada esganiçada de sua garganta cheia de insetos. "O Grande Graal de Fuyuki está corrompido desde a terceira guerra por *Angra Mainyu*, o Todo o Mal do Mundo. Nós não queríamos um herói. Nós sabíamos que o fragmento do Olimpo traria algo... quebrado. Alguém cuja própria alma é feita de transgressão, assassinato e ódio."
Kirei levantou o cálice negro. A lama escura do Graal começou a jorrar do chão da floresta, envolvendo as pernas de Kratos. A lama do Graal é o "Mal do Mundo", capaz de corromper qualquer Espírito Heroico, transformando-os em suas versões *Alter* (sombrias).
"Consuma-o, grande Graal", Kirei proclamou. "Torne o Matador de Deuses o nosso peão definitivo para purificar este mundo na escuridão!"
A lama negra subiu pelo corpo de Kratos, cobrindo sua pele cinzenta, entrando em suas feridas, sussurrando em sua mente. Milhões de vozes malditas ecoaram na cabeça do espartano: *Você é um monstro. Você matou sua família. Você traiu seu povo. Renda-se ao ódio. Renda-se a nós.*
Saber, Rin e até Ilya assistiam paralisadas. O monstro que eles estavam combatendo estava prestes a se tornar o receptáculo do fim do mundo.
A Quebra do Sistema
A lama cobriu o rosto de Kratos por completo, formando um casulo de escuridão pura. Kirei começou a rir, acreditando ter vencido.
Mas então, o riso do padre morreu.
O casulo negro começou a... rachar. Mas as rachaduras não eram escuras. Eram de um azul brilhante, divino, gélido. Uma energia que não pertencia ao submundo grego, nem à fúria de Esparta, e muito menos à lama de Fuyuki.
Do centro da corrupção, uma voz ecoou. Não era o rosnado do monstro sedento de sangue. Era a voz profunda, controlada e infinitamente cansada de um **Pai**. Um homem que havia viajado para as terras nórdicas para escapar de seu passado, que havia aprendido o significado de humanidade, sacrifício e redenção.
"A maldade do seu mundo... é barulhenta. Mas eu já ouvi os sussurros de mentes mais sombrias que a sua. Eu já enfrentei a minha própria escuridão... e escolhi ser melhor."
Com um rugido que congelou instantaneamente a lama do Graal ao seu redor, o casulo explodiu.
Kratos emergiu. Mas ele estava mudado. A tatuagem vermelha ainda estava lá, mas em sua mão direita, as Lâminas do Caos desapareceram, substituídas por um machado rúnico que emanava o frio absoluto de Helheim: o Machado Leviatã. E em suas costas, o escudo guardião brilhava com runas nórdicas de proteção.
O Graal tentou corrompê-lo usando seu ódio, mas ao acessar o registro de Kratos, o sistema tocou em sua era mais recente — a era onde ele superou o monstro que era. Kratos havia quebrado as regras da invocação do Graal novamente. Ele havia forçado uma Mudança de Classe em tempo real. Ele não era mais o Berserker/Avenger da Grécia.
Diante deles estava Kratos, a Divindade Protetora dos Nove Reinos. Classe: Shielder / Saber (Nórdico).
"O quê... que tipo de anomalia é essa?!", Zouken gritou, os vermes em seu corpo começando a congelar e morrer apenas com a aura fria que emanava do Machado Leviatã.
Kratos olhou para o corpo sem vida de Ren no chão. Ele fechou os olhos por um segundo, prestando respeito ao mestre que não conseguiu proteger. Quando os abriu, os olhos do espartano estavam calmos. Uma calma ártica, que precedia a pior das tempestades.
Ele estendeu a mão esquerda para o lado. "Garoto...", ele murmurou, não para Ren, mas invocando a memória de seu filho, Atreus. A energia rúnica fluiu pelo chão.
Kratos olhou diretamente para Kirei e Zouken.
"Vocês usam a vida dos inocentes como moeda para seus jogos de poder. Vocês se escondem atrás de maldições e poças de lama." Ele ergueu o Machado Leviatã, que brilhou com uma luz azul ofuscante. "Eu vim a este mundo achando que enfrentaria deuses. Mas vejo que enfrento apenas vermes que anseiam pelo chicote. A caçada acabou. Agora... começa o julgamento."
Com um único movimento horizontal do machado, uma onda de gelo absoluto varreu a floresta de Einzbern, congelando a própria lama do Graal e reescrevendo o campo de batalha sob o domínio do inverno nórdico. A Guerra do Santo Graal não era mais uma disputa pelo cálice; era a sobrevivência dos Espíritos Heroicos contra o ho
mem que sobreviveu ao crepúsculo dos deuses.
